Uma explosão dentro da Usiminas, em Ipatinga, fez a usina
ser evacuada na tarde desta sexta-feira (10). Trinta e quatro pessoas foram
levadas para o hospital, mas nenhuma em estado grave. Na manhã deste sábado
(11), a assessoria de comunicação do hospital confirmou que todos os feridos já
foram liberados (veja o momento da explosão no vídeo acima).
O acidente ocorreu em um dos quatro gasômetros da unidade,
na área da aciaria, onde o ferro é convertido em aço, por volta das 12h40. Não
se sabe ainda a causa da explosão. Cerca de 4 mil pessoas trabalham na usina e
no momento do acidente a maior parte dos trabalhadores estava no horário do
almoço.
Em coletiva de imprensa na noite desta sexta-feira, o
presidente da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, afirmou que a usina voltou a
operar parcialmente, após algumas áreas serem liberadas pelo controle de
segurança da empresa; a informação também foi confirmada pelo Corpo de
Bombeiros. O local onde ocorreu a explosão, e algumas áreas próximas que foram
afetadas seguem interditadas.
"Foi um acidente grave, que preocupou a todos, mas não
há qualquer isso para a cidade de Ipatinga. Foi monitorado a questão de gases,
foi feito um trabalho junto com a área de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros,
houve uma mobilização muito grande e imediata. Nós processamos uma evacuação da
empresa, paralisamos todas as nossas operações na usina naquele momento e duas
horas depois nós começamos a trazer de volta o nosso pessoal. Nós fomos
retornando com as pessoas, já que não havia qualquer risco em termo de área
interna da Usiminas e em termo de cidade em nenhum momento houve”, afirmou
Sérgio Leite.
Não existe previsão para que a usina opere com sua
capacidade plena. “Estamos iniciando também a análise do acidente. Nós não
temos ainda condição de fazer nenhum posicionamento técnico com relação a
ocorrência do acidente. Essa análise, sem dúvidas, demandara alguns dias”, diz
Sérgio Leite.
Em nota, o Governo de Minas informou que "a unidade da
Usiminas em Ipatinga possui Licença de Operação para siderurgia e elaboração de
produtos siderúrgicos devidamente vigente junto à Semad [Secretaria de Meio
Ambiente]". Destacou ainda que não houve a necessidade de evacuação dos
bairros próximos à empresa, "já que não há vazamento de gás"
A forte explosão foi sentida em diversos bairros da cidade
do Vale do Aço, em Minas Gerais, que estava com o Centro cheio por causa da
programação especial do comércio para o Dia dos Pais. "A loja estava
movimentada. Caiu o teto, quebrou o vibro aqui. A princípio achei que era o
prédio aqui da loja que estava estralando, tendo alguma coisa. Depois a gente
viu que não era só aqui na loja. Várias lojas foram afetadas", afirmou a
vendedora Jessida Daiana.
Clayton Lopes, que é balconista de uma farmácia, pensou que
um carro tinha entrado na loja por causa do barulho. "Assustei. Todo mundo
saiu, falando que avião tinha caído. Fomos lá para fora e ficamos sabendo o que
aconteceu. Tremeu praticamente tudo."
A porta de vidro de uma igreja quebrou por causa do impacto.
Após explosão, as ruas do Centro de Ipatinga ficaram vazias. A Câmara Municipal
de Ipatinga afirmou que a explosão quebrou janelas e danificou o forro de
algumas salas. Cerca de 150 pessoas que estavam no prédio foram retiradas do
local.
Vítimas
Das 34 pessoas atendidas no Hospital Márcio Cunha, uma
sofreu um corte na face causado por um estilhaço da explosão na Usiminas. As
outras vítimas tiveram tonturas ou mal súbito decorrente da situação de pânico
ou da inalação de gás, segundo os bombeiros.
"Todas essas vítimas prestavam serviço ou eram
funcionários da empresa. Um fator que favoreceu a menor gravidade da ocorrência
foi o fato da fábrica estar em horário de almoço no momento da explosão",
afirma nota da corporação.
Segundo os bombeiros, o tanque que explodiu continha uma
mistura de gases utilizada na produção de aço, denominada LDG (Linz Donawitz
Gás), também chamado gás de aciaria. O principal componente desse gás é o
monóxido de carbono.
A explosão do gasômetro causou um incêndio, que foi
controlado. Os trabalhos de socorro às vítimas já foi finalizado. Há dois reservatório
idênticos ao que explodiu na planta industrial da Usiminas, distantes cerca de
100 metros da explosão, que tiveram o funcionamento paralisado pela empresa. O
Corpo de Bombeiros afirma que não há vazamento de gás e que equipes fizeram
várias medições com aparelhos específicos para leitura de gases,
"comprovando a segurança do local e não havendo a necessidade de evacuação
dos bairros próximos".
Em vídeo publicado em uma rede social, o prefeito da cidade,
Nardyello Rocha (MDB), afirmou que a prefeitura, através da Secretaria de
Segurança Pública, monitora a situação em todos os bairros e na própria usina
com relação à possibilidade de intoxicação com gás. Ele descartou qualquer
possibilidade de gás tóxico ter se espalhado pela cidade.
Em nota, a Usiminas também afirmou que toda a área de risco
foi evacuada e que não há vazamento. "A equipe de brigadistas da empresa
está atuando no local, e a canalização de gás já foi bloqueada, não havendo
vazamento. A Usiminas reitera que está fazendo monitoramento de gases nos
bairros do entorno da usina e até o momento nenhuma anormalidade foi
registrada."
Morte de funcionário
A explosão na Usiminas de Ipatinga acontece dois dias depois
da morte de um funcionário de uma empreiteira que presta serviços na mesma
unidade. Ele trabalhava na manutenção de um equipamento. Luís Fernando Pereira,
de 38 anos, trabalhava no despoeiramento da aciaria quando o acidente ocorreu.
A empresa não informou as causas do ocorrido.
Fonte: G1.com.br





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